meteorologia

1.dizem que, quando eu era um bebê rechonchudo e rosado, tomei um banho gelado. uma tia encheu a banheira com água fria, para então temperar com a que esquentava no fogão. por algum motivo ela esqueceu essa parte, e o resultado foi um grito de proporções épicas. chorava, chorava. ouço a história e adivinho meu desconsolo. às vezes, acho que o frio que senti aquele dia nunca mais foi embora. é por isso que, para adormecer, preciso me enrolar em cobertores e pessoas.

2.pode-se concluir, daí, que adoro verão. não. sol demais traz seus próprios traumas: nadar de camiseta e boné para não queimar a pele; o cheiro pegajoso de protetor solar. aos 16 anos, num ato de iconoclastia mal direcionada, não passei o protetor. era uma viagem da escola a uma cachoeira. bastou meia hora para que surgissem as queimaduras. de ombro a ombro, bolhas aflitivas. desde então continuei a evitar o sol forte. assim como o mar, a areia, as funduras.

3. fiz as pazes com o sol, finalmente, há algum tempo. mas continuo sendo uma garota de meia-estação.

4. poder-se-ia concluir daí uma falta de paixão, de entusiasmo. não, again. as temperaturas internas continuam turbilhonadas. tempestades de dentro, que tento conter com as mãos.

ativismo interno

sobre aquele momento em que a gente percebe que nossas causas não dizem respeito apenas a elas próprias (as causas), mas a nós mesmos. cada ativismo cumpre uma função interna, individual, além do significado mais óbvio e político. a bicicleta me salvou do afogamento mental, de virar um cérebro sem corpo – algo de que sinto falta agora, em que não tenho pedalado como antes. o feminismo me ensina a lidar com meus próprios preconceitos, elitismos. e mesmo com meu próprio gênero, a me entender nele, a achar minha forma de ser eu, enquanto gendered individual. liberdade buscada por meio de conceitos e estudos. não é o caminho mais curto, nem o mais efetivo. mas é o que eu conheço. tou conseguindo até descobrir uns atalhos, ultimamente. embora seja mais apropriado chamá-los de “caminhos alternativos”. pois a distância percorrida, no fim, é quase a mesma.

poemas + sarau

tem poemas novos lá no blog mpb. vão lá.


também escrevi um outro poema, sobre gatinhos. mas vou deixar esse na gaveta mais um pouco. porque né, um poema sobre gatinhos. também já está lá no blog mpb.


[se bem que, se o ferreira gullar pode, eu também posso.]


falando em gatinhos, amanhã, dia 4, às 19h, vai ter sarau na casa das rosas. é lançamento do livro “o suicídio como espetáculo na metrópole”.  serei uma das poetas convidadas. eu, daud, fabi motroni e mais umas pessoas bacanas. aqui os dados:

A Editora Fap-Unifesp e a Casa das Rosas convidam para o Sarau de Lançamento do livro “O Suicídio como Espetáculo na Metrópole“, de Fernanda Marquetti.

Poetas convidados: Andréa Catrópa, Fabiana Motroni, Jeanne Callegari, Juliana Bernardo, Maiara Gouveia, Paulo Ferraz, Rafael Daud, Roberta Ferraz, Susanna Busato.
Participação especial de Frederico Barbosa.

No dia do evento, o livro estará com 25% de desconto (de R$ 40,00 por R$ 30,00). Esperamos vocês!

Av. Paulista, 37 – Bela Vista
Casa das Rosas: (11) 3285-6986
Editora Fap-Unifesp: (11) 2368-4022

bora lá?

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update: o poema que escrevi para o sarau também está no blog. aqui: cancaodemim.org