uma ilusão

“Live all you can; it’s a mistake not to. It doesn’t so much matter what you do in particular so long as you have your life. If you haven’t had that what have you had? … I haven’t done so enough before—and now I’m too old; too old at any rate for what I see. … What one loses one loses; make no mistake about that. … Still, we have the illusion of freedom; therefore don’t be, like me, without the memory of that illusion. I was either, at the right time, too stupid or too intelligent to have it; I don’t quite know which. Of course at present I’m a case of reaction against the mistake. … Do what you like so long as you don’t make my mistake. For it was a mistake. Live!”

Henry James, The Ambassadors

Acredite: é subversivo

E em dias de primavera paulistana, com tanta coisa bonita chegando na timeline, uma das mais belas é o discurso do filósofo Slavoj Zizek no Occupy Wall Street, em 2011. Está abaixo, pra quem quiser ver (transcrição em português aqui). O momento é intenso e suas palavras, sábias: “não se apaixonem por si mesmos”; o que importa é o que ficará depois que as coisas voltarem à normalidade. É bonito e verdadeiro. Mas permitam-me discordar por um momento.

Apaixonem-se por si mesmos – por cinco minutos. Por cinco minutos, permitam-se ter orgulho de si e dos colegas que estão fazendo dessas manifestações algo memorável, ao mesmo tempo único e conectado a tantos outros movimentos do mundo. Percebam como é trabalhar em grupo, e como é muito mais fácil do que a gente pensava. Percebam como é bacana entender, de forma tão pessoal, o que motivou as pessoas em outras épocas e revoluções. A força nascendo do medo, a união nascendo das diferenças. As pessoas têm diferentes motivações para estar na rua, e isso não é ruim. Insatisfação geral com tudo que está aí não é ruim. Não ter respostas prontas e fechadas não é ruim.

Porque, se pensarmos bem, até que temos algumas respostas – ou propostas. Temos discutido isso, de diferentes maneiras, há alguns anos – em alguns casos, décadas. Se pensarmos com cuidado, temos sim questões concretas por que lutar. Queremos: um Estado que não se esqueça das pessoas. Cidades vivíveis, que sejam mais que lugares de passagem. Sabemos que isso passa pela mobilidade, pelo direito de se locomover na cidade com dignidade. Passa por bicicletas, por transporte público decente. Novamente: foco no ser humano. Não nos carros. Nas pessoas. Sabemos que tem a ver com o verde. Com parques, locais de convivência, com lazer público. Com uma cidade mais humana, em que a especulação imobiliária não é mais forte que os direitos do ser humano. Passa pela poesia, pela arte.

Passa pelo direito a uma infância mais ativa, por crianças que podem viver a rua, e não apenas passar do aquário-do-carro para o aquário-do-apartamento. Passa pelo direito de comer alimentos que não sejam entupidos de veneno, produzidos de forma ética e digna. Passa pelo direito à informação, sem que precisemos duvidar de tudo que vemos na TV. Pelo direito a andar na rua de mãos dadas para todos os casais, hétero ou gays. Pelo direito a ter sua identidade de gênero respeitada, independente do tipo de genital no meio das pernas. Passa pela desmilitarização da polícia e pelo direito de protestar.

vdevinagre

E talvez, acima de tudo, passe pelo fim da desigualdade. Para que o abismo entre quem tem muito e entre quem tem pouco não seja tão imenso. Sabemos que avanços têm ocorrido nesse sentido, e isso é lindo. Mas não é suficiente. Jovens negros continuam sendo mortos por uma polícia que a gente, aqui na ZO, só tá aprendendo a conhecer agora. Gente demais continua na cadeia por roubar um pedaço de pão. Mulheres demais morrem por causa de abortos precários. Crianças demais enveredam por paradas erradas por não verem outra opção. A miséria não é aceitável, e segregar pessoas num modelo de cidade excludente e violenta não é aceitável. A gente sabe por onde as soluções passam, mesmo que discordemos dos detalhes (e discordar é bom, dissenso é bom; nunca duvidem do poder do embate saudável, porque é assim que a gente cresce). A gente sabe por onde passa: pelo foco nas pessoas. Nos seres humanos. TODOS os seres humanos. Não só os brancos, de classe média, do sexo masculino, heterossexuais, cisgêneros, motoristas de grandes automóveis e respeitadores da ordem. Não. É dignidade pra todo mundo. Pra quem sempre ficou de fora. Principalmente pra quem sempre ficou de fora. Eu preciso de um Estado decente e de uma cidade que me respeite como ser humano, mas ainda é verdade que fiquei com a melhor fatia do bolo; tem gente que precisa ainda mais do que eu de um Estado e de uma cidade que os respeite.

A gente sabe, no fim, o rumo a tomar, as propostas concretas que queremos. É por um Estado que não se esqueça das pessoas, por uma cidade cujo foco principal sejam as pessoas. Pelo direito de ser gente. Com dignidade. Não é tão difícil.

Por isso, permita-se apaixonar por esse momento. Nem que seja por alguns instantes. Porque ele não é só um surto de rebeldia instantânea; esses debates têm sido construídos há muito tempo. Permita-se curtir esse momento mesmo sem existir uma única demanda concreta que una todas as pessoas nesse instante, porque a principal revolução é no imaginário. Mais que qualquer ganho real e imediato, o movimento em si já é a mudança. Apaixone-se pelo processo de mudança, que é incessante. Pela luta. Apaixonar-se por colaborar, estar inquieto, ajudar, dar força, se inspirar, pensar que é possível. Acima de tudo, apaixone-se por pensar que é possível. Isso nunca será inofensivo.

Como diz a Lu, acreditar é subversivo. Estar com outras pessoas é transformador. Enquanto a gente acreditar, o amanhã não será o mesmo.

amanhã tudo volta ao normal

o que eu mais gosto no carnaval não é a suspensão da vida comum, o deslocamento esperado de sentidos. as gentes fantasiadas nos blocos, ou na passarela das escolas de samba, são legais, claro. mas não é o que mais me emociona. o que eu mais gosto do carnaval é o confronto com a vida que segue, que não se suspende. a diaba esperando ônibus ao lado do chapolin, a mulher-maravilha e o cara de vestido rosa comprando macarrão no supermercado para a janta pós-folia. é andar na rua e topar com chapéus e lantejoulas, colares e corpetes. é confete, serpentina e purpurina na fila do caixa. pessoal se vestindo com as roupas que queria vestir o ano inteiro, mas não pode. tanta cor sacando dinheiro no caixa eletrônico, pegando táxi, segurando as sandálias na mão porque dançou até sair bolha. o que eu mais gosto no carnaval está na beirada do carnaval, na fronteira; quando o suspenso encontra o não-suspenso, o cotidiano. é uma janela para como a vida podia ser fora das datas festivas, se apenas nossas escolhas, enquanto humanidade, tivessem sido outras.

hoje não botei meu bloco na rua, não dancei, não cantei. mas coloquei meu chapéu florido. e fui fazer supermercado.

842933_489737091062995_1433789057_o

*Foto da sista Liliane Callegari.

o direito à preguiça

dos temas que preciso desenvolver melhor: a preguiça. e nosso direito a ela. e a ideia de que a eficiência, a produtividade e a condenação ao tempo ocioso ajudam a escravizar e matar coisas bonitas em nossas almas/mentes. e, finalmente, da teoria de como o sistema mutante se reformulou para garantir as horas suadas mesmo de quem poderia estar surfando na micropolinésia agora: fácil. basta fazer com que certas pessoas amem o seu trabalho. e assim, passem horas e horas e horas nele, com sorrisos rasgados. bem. eu mesma gosto muito do que faço (ser pago pra aprender, como no jornalismo, é divertido. fora escrever, que é o que gosto e sei). certamente é melhor do que ser atropelado por um caminhão, como diria philip roth. mas né. a reflexão está aí para ser feita.

tudo isso para colocar um trecho do lafargue, de seu clássico “o direito à preguiça”. a cynara menezes conta, nesse link aqui, quem foi ele. pra resumir: foi um socialista bacana, genro do karl marx, e que achava isso de trabalhar muitas horas coisa de louco. foi dele a ideia, ao que parece, de dividir o dia em três partes: 8 horas de sono, 8 de descanso, 8 de trabalho. pra que o pessoal não pirasse em [mandar os outros] trabalhar 12, 13, 14 horas. pois é. um cara bacana. e um socialismo que faz sentido, pra mim. mas vamos ao texto, primeiro capítulo do livro, copiado descaradamente do blog da cynara:

Um dogma desastroso

“Sejamos preguiçosos em tudo, exceto em amar e em beber, exceto em sermos preguiçosos” (LESSING)

Uma estranha loucura se apossou das classes operárias das nações onde reina a civilização capitalista. Esta loucura arrasta consigo misérias individuais e sociais que há dois séculos torturam a triste humanidade. Esta loucura é o amor ao trabalho, a paixão moribunda pelo trabalho, levado até ao esgotamento das forças vitais do indivíduo e de seus filhos. Em vez de reagir contra esta aberração mental, os padres, os economistas, os moralistas sacrossantificaram o trabalho. Homens cegos e limitados, quiseram ser mais sábios do que o seu Deus; homens fracos e desprezíveis, quiseram reabilitar aquilo que o seu Deus amaldiçoara. Eu, que não me declaro cristão, economista nem moralista, coloco os seus juízos ante os do seu Deus; coloco diante dos sermões da sua moral religiosa, econômica, livre-pensadora, as terríveis conseqüências do trabalho na sociedade capitalista.

Na sociedade capitalista, o trabalho é a causa de toda a degenerescência intelectual, de toda a deformação orgânica. Comparem, por exemplo, o puro-sangue das cavalariças de Rothschild, servido por uma turba de lacaios bímanos, com a pesada besta das quintas normandas que lavra a terra, carrega o estrume, que põe no celeiro a colheita dos cereais. Olhem para o nobre selvagem, que os missionários do comércio e os comerciantes da religião ainda não corromperam com o cristianismo, com a sífilis e o dogma do trabalho, e olhem em seguida para os nossos miseráveis criados de máquinas.

Quando, na nossa Europa civilizada, se quer encontrar um traço de beleza nativa do homem, é preciso ir buscá-lo nas nações onde os preconceitos econômicos ainda não desenraizaram o ódio ao trabalho. A Espanha, que infelizmente degenera, ainda pode se gabar de possuir menos fábricas do que nós prisões e casernas; o artista se regozija ao admirar o ousado andaluz, moreno como as castanhas, reto e flexível como uma haste de aço; e o coração do homem sobressalta-se ao ouvir o mendigo, soberbamente envolvido na sua capa esburacada, chamar amigo aos duques de Ossuna. Para o espanhol, em cujo país o animal primitivo não está atrofiado, o trabalho é a pior das escravidões.

Os gregos da grande época também só tinham desprezo pelo trabalho: só aos escravos era permitido trabalhar, o homem livre só conhecia os exercícios físicos e os jogos da inteligência. Também era a época em que se caminhava e se respirava num povo de homens como Aristóteles, Fídias, Aristófanes; era a época em que um punhado de bravos esmagava em Maratona as hordas da Ásia que Alexandre iria dentro em breve conquistar. Os filósofos da Antigüidade ensinavam o desprezo pelo trabalho, essa degradação do homem livre; os poetas cantavam a preguiça, esse presente dos Deuses: O Meliboe, Deus nobis hoec otia fecit (Ó Melibeu, um Deus deu-nos esta ociosidade).

Cristo pregou a preguiça no seu sermão na montanha: ”Olhai como crescem os lírios no campo, eles não trabalham nem fiam e, todavia, digo-vos: Salomão, em toda a sua glória, não se vestiu com maior brilho.”
Jeová, o deus barbudo e rebarbativo, deu aos seus adoradores o exemplo supremo da preguiça ideal; depois de seis dias de trabalho, descansou por toda a eternidade.

Em contrapartida, quais são as raças para quem o trabalho é uma necessidade orgânica? Os auverneses (da Auvernia, região da França); os escoceses, esses auverneses das ilhas britânicas; os galegos, esses auverneses da Espanha; os Pomeranianos, esses auverneses da Alemanha; os chineses, esses auverneses da Ásia. Na nossa sociedade, quais são as classes que amam o trabalho pelo trabalho? Os camponeses proprietários e os pequeno-burgueses, uns curvados sobre as suas terras, os outros retidos nas suas lojas, movem-se como a toupeira em sua galeria subterrânea sem nunca endireitar o corpo para apreciar a natureza.

E, no entanto, o proletariado, a grande classe que engloba todos os produtores das nações civilizadas, a classe que, ao emancipar-se, emancipará a humanidade do trabalho servil e fará do animal humano um ser livre, o proletariado, traindo os seus instintos e se esquecendo da sua missão histórica, deixou-se perverter pelo dogma do trabalho. Rude e terrível foi o seu castigo. Todas as misérias individuais e sociais nasceram da sua paixão pelo trabalho.

essa falta de senso

a calcanhoto que me perdoe, mas eu gosto do bom senso (do bom gosto nem tanto, vá lá, overrated).

dizia o descartes, aquele quadrado, que o bom senso é a qualidade mais bem distribuída do mundo: ninguém acha que tem de menos. somos, cada um, a medida da sensatez mundial, o local onde nada sobra ou falta em termos de sabedoria. ou: quase todos. não eu.

eu não tenho bom senso. não sou sensata. bem que eu queria. porque eu não acho bonito isso de não ter bom senso, de não saber pra que lado pende a balança, e de não ter certeza de que seja para o lado certo.

talvez a minha maior falta de senso seja achar que existe um lado certo.

e aí que está. eu não sou zen como queria, não sou boa como queria, não sou sensata como queria. não importa o quanto eu fale a respeito ou quantas frases de pema chödron eu escreva em post-its. a mim, me falta essa noção de coisas. crio uma estratégias: capricho na forma de falar, cuido do pensar, respiro dez vezes antes mesmo de contar até dez. penso e faço, e disfarço, pra ninguém ver o que falta. e ainda assim um planeta nas costas. coisa besta.

diz que sérgio buarque explica – uma cordialidade de doer. ou um ólogo de boteco: culpa cristã? carência? pode ser. pois eu queria mesmo era amor. no mundo inteiro. imagine all the people se dando as mãos e depois comendo cupcakes.

o buraco é tão grande que faço o mimimi, como a pedir: digam que não é tão ruim assim! que acertei em uma ou duas coisas! colo, eu diria. um buraco, que coisa. ainda se fizesse ventinho e assobiasse.

correto era me aceitar na vontade de acertar. mas não: fico procurando o tal do senso. na tela do computador, num livro qualquer, num meme de gatinho abraçando um cão.

e ainda me espanto de não encontrar.

pão, circo

I. de repente a arte, ao ajudar a gente a suportar a vida, só piora tudo. de que mesmo o pão & circo distraía as atenções, em roma? não há diferença essencial entre arte e o entretenimento mais mercantil. madonna é prima de emily dickinson. tudo, apenas, questão de nicho.

II. dizem que a boa arte nos aproxima da verdade. mas quantas vezes isso é verídico? é mais como se a arte existisse para completar lacunas. para nos levar pra mais longe dos fatos. a vida é pouca, não basta. apesar da verdade.

III. não há prosa sem moral da história. a prosa mais niilista quer nos convencer de algo – a ausência de sentido. daí alguns tentarem a poesia.

IV. não que a poesia seja menos inútil. também é puro artifício. mas é algo para manter as mãos ocupadas.

+++++
blog volta ao ar no mesmo dia que eu volto de férias poeticamente muy produtivas. já comecei a desovar um monte de coisinhas novas no blog mpb. vão lá.

A vida é uma lista de tarefas

Então a vida vai se tornando mais complexa, com mais trabalhos e funções. Novas responsabilidades são formas de reconhecimento, e você se sente honrado, crescido, responsável. Vida adulta: contas e prazos. Pra dar conta de tudo, você faz lista de tarefas, coloca na agenda tudo que precisa ser feito. E vai fazendo sempre aquilo que está nas tais listas. Uma das maiores delícias da vida é riscar coisas da lista de tarefas. Sentir-se assim, eficiente. Uma lista inteira riscada, que luxo. Claro, sobra pouco tempo para o que não é tarefa: ler com os gatos no colo, andar de bicicleta com o namorado, fazer uma nova receita de bolo de chocolate. Aí vem a ideia: colocar esse não-essencial na lista de tarefas, por que não? Afinal, ainda que não tenham prazo, são coisas que precisam ser feitas, para o bem de sua sanidade. E com essa ideia inspirada você começa a anotar: a hora da yoga, de comer manga de manhã, de fazer sexo com a esposa. Brincar com os filhos: das 21h às 22h. É tudo uma questão de organização. Então a vida se torna uma longa, cada vez maior, lista de tarefas. E você se pega em uma segunda-feira chuvosa de feriado, querendo fazer as coisas que planejou para seu raro dia de folga – um feriado, afinal – mas não consegue. Porque fazer yoga não deveria ser uma tarefa. Porque fazer as unhas deveria ser divertido. A vida não é uma porra de uma lista de tarefas, afinal. E naquele dia você não quer fazer nada. Nem tomar café, ou ver o novo episódio de Game of Thrones, ou ler aquela etnografia interessantíssima sobre a Micropolinésia. Não se anima nem com um comfort book, um romance policial ou de vampiros. Nada. Nem levantar você quer – levantar estava na lista de tarefas? Não sei. Mas naquele dia você não quer. Viva os cobertores, os gatos, a capacidade – extensivamente praticada – de dormir 14 horas sem deixar doer a coluna. Dormir nunca está na lista de tarefas, mas foda-se: hoje você acordou iconoclasta. Amanhã, amanhã você pega a agenda de novo. Hoje não.

meteorologia

1.dizem que, quando eu era um bebê rechonchudo e rosado, tomei um banho gelado. uma tia encheu a banheira com água fria, para então temperar com a que esquentava no fogão. por algum motivo ela esqueceu essa parte, e o resultado foi um grito de proporções épicas. chorava, chorava. ouço a história e adivinho meu desconsolo. às vezes, acho que o frio que senti aquele dia nunca mais foi embora. é por isso que, para adormecer, preciso me enrolar em cobertores e pessoas.

2.pode-se concluir, daí, que adoro verão. não. sol demais traz seus próprios traumas: nadar de camiseta e boné para não queimar a pele; o cheiro pegajoso de protetor solar. aos 16 anos, num ato de iconoclastia mal direcionada, não passei o protetor. era uma viagem da escola a uma cachoeira. bastou meia hora para que surgissem as queimaduras. de ombro a ombro, bolhas aflitivas. desde então continuei a evitar o sol forte. assim como o mar, a areia, as funduras.

3. fiz as pazes com o sol, finalmente, há algum tempo. mas continuo sendo uma garota de meia-estação.

4. poder-se-ia concluir daí uma falta de paixão, de entusiasmo. não, again. as temperaturas internas continuam turbilhonadas. tempestades de dentro, que tento conter com as mãos.

ativismo interno

sobre aquele momento em que a gente percebe que nossas causas não dizem respeito apenas a elas próprias (as causas), mas a nós mesmos. cada ativismo cumpre uma função interna, individual, além do significado mais óbvio e político. a bicicleta me salvou do afogamento mental, de virar um cérebro sem corpo – algo de que sinto falta agora, em que não tenho pedalado como antes. o feminismo me ensina a lidar com meus próprios preconceitos, elitismos. e mesmo com meu próprio gênero, a me entender nele, a achar minha forma de ser eu, enquanto gendered individual. liberdade buscada por meio de conceitos e estudos. não é o caminho mais curto, nem o mais efetivo. mas é o que eu conheço. tou conseguindo até descobrir uns atalhos, ultimamente. embora seja mais apropriado chamá-los de “caminhos alternativos”. pois a distância percorrida, no fim, é quase a mesma.

poemas + sarau

tem poemas novos lá no blog mpb. vão lá.


também escrevi um outro poema, sobre gatinhos. mas vou deixar esse na gaveta mais um pouco. porque né, um poema sobre gatinhos. também já está lá no blog mpb.


[se bem que, se o ferreira gullar pode, eu também posso.]


falando em gatinhos, amanhã, dia 4, às 19h, vai ter sarau na casa das rosas. é lançamento do livro “o suicídio como espetáculo na metrópole”.  serei uma das poetas convidadas. eu, daud, fabi motroni e mais umas pessoas bacanas. aqui os dados:

A Editora Fap-Unifesp e a Casa das Rosas convidam para o Sarau de Lançamento do livro “O Suicídio como Espetáculo na Metrópole“, de Fernanda Marquetti.

Poetas convidados: Andréa Catrópa, Fabiana Motroni, Jeanne Callegari, Juliana Bernardo, Maiara Gouveia, Paulo Ferraz, Rafael Daud, Roberta Ferraz, Susanna Busato.
Participação especial de Frederico Barbosa.

No dia do evento, o livro estará com 25% de desconto (de R$ 40,00 por R$ 30,00). Esperamos vocês!

Av. Paulista, 37 – Bela Vista
Casa das Rosas: (11) 3285-6986
Editora Fap-Unifesp: (11) 2368-4022

bora lá?

***
update: o poema que escrevi para o sarau também está no blog. aqui: cancaodemim.org