essa falta de senso

a calcanhoto que me perdoe, mas eu gosto do bom senso (do bom gosto nem tanto, vá lá, overrated).

dizia o descartes, aquele quadrado, que o bom senso é a qualidade mais bem distribuída do mundo: ninguém acha que tem de menos. somos, cada um, a medida da sensatez mundial, o local onde nada sobra ou falta em termos de sabedoria. ou: quase todos. não eu.

eu não tenho bom senso. não sou sensata. bem que eu queria. porque eu não acho bonito isso de não ter bom senso, de não saber pra que lado pende a balança, e de não ter certeza de que seja para o lado certo.

talvez a minha maior falta de senso seja achar que existe um lado certo.

e aí que está. eu não sou zen como queria, não sou boa como queria, não sou sensata como queria. não importa o quanto eu fale a respeito ou quantas frases de pema chödron eu escreva em post-its. a mim, me falta essa noção de coisas. crio uma estratégias: capricho na forma de falar, cuido do pensar, respiro dez vezes antes mesmo de contar até dez. penso e faço, e disfarço, pra ninguém ver o que falta. e ainda assim um planeta nas costas. coisa besta.

diz que sérgio buarque explica – uma cordialidade de doer. ou um ólogo de boteco: culpa cristã? carência? pode ser. pois eu queria mesmo era amor. no mundo inteiro. imagine all the people se dando as mãos e depois comendo cupcakes.

o buraco é tão grande que faço o mimimi, como a pedir: digam que não é tão ruim assim! que acertei em uma ou duas coisas! colo, eu diria. um buraco, que coisa. ainda se fizesse ventinho e assobiasse.

correto era me aceitar na vontade de acertar. mas não: fico procurando o tal do senso. na tela do computador, num livro qualquer, num meme de gatinho abraçando um cão.

e ainda me espanto de não encontrar.

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