por aí

Esses dias dei bronca em um amigo que não avisa direito o que anda fazendo, de entrevistas e cursos a participações em revistas e antologias. As pessoas não têm bola de cristal para adivinhar, protestei. Mas aí, pensando nas coisas que eu ando fazendo, caiu a ficha: eu também não tenho sido muito esperta em avisar do que tem rolado. Shame on me. E, bem, bora corrigir isso.

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Minha participação mais recente foi na edição #3 da revista Parênteses, editada pela Lubi Prates e pelo Bruno Palma e Silva. A revista é muito bonita, dá gosto olhar. É trimestral e distribuída gratuitamente na internet, em formatos PDF e ePub.

hussardos

Em janeiro desse ano, foi publicada a antologia É Que os Hussardos Chegam Hoje, um livro-festa com 77 poetas que nasceram ou moram em São Paulo. Publicado pela editora Patuá, o livro é uma homenagem aos Hussardos, clube literário recém-inaugurado pelo Vanderley Mendonça.

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No final do ano, escrevi o prefácio para o Contos do Poente, o livro das queridas Luciana Nepomuceno e Rita Paschoalin. O livro tem ilustrações da Joana Faria. É possível comprar um exemplar em livrarias como a Nobel, em Florianópolis, ou na Folha Seca, no Rio de Janeiro, ou direto com as autoras.

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No ano passado, saíram alguns poemas na Celuzlose, do Victor Del Franco. É uma revista alentada, com muitas colaborações. Dá pra baixar ou ler nesse endereço.

RelevO

Em maio de 2013, saiu um texto meu no jornal RelevO. O texto que saiu é uma prosinha/crônica que escrevi aqui para esse blog. O RelevO é um impresso que sai mensalmente no Paraná e é editado pelo Daniel Zanella. Dá para ler a edição em questão nesse endereço.

Murilo Mendes por Murilo Mendes

Microdefinição do autor

(A)

Sinto-me compelido ao trabalho literário:

pelo desejo de suprir lacunas da vida real; pela minha teimosia em rejeitar as “avances” da morte (tolice: como se ela usasse o verbo adiar); pela falta de tempo e de ideogramas chineses; pela minha aversão à tirania (…); pelo meu congênito amor à liberdade, que se exprime justamente no trabalho literário; pelo meu não-reconhecimento da fronteira realidade-irrealidade (…); pela certeza de que jamais serei guerrilheiro urbano, muito menos rural, embora gostasse de derrubar uns dez ou quinze governos dos quais omitirei os nomes: receio que outros governos excluídos da minha lista negra julguem que os admiro, coisa absurda (…); por ter visto Nijinski dançar; pelo meu apoio ao ecumenismo, e não somente o religioso; por manejar uma caneta que, desacompanhando minha ideia, não consegue viajar à velocidade de mil quilômetros horários (…); pela preferência a preferir Alocha a Ivan e Dimitri Karamazov; porque dentro de mim discutem um mineiro, um grego, um hebreu, um indiano, um cristão péssimo, relaxado, um socialista amador; porque não separo Apolo de Dionísio; por haver começado no início da adolescência a leitura de Cesário Verde, Rancine, Baudelaire (…); pela fúria galopante dos quadros e colagens de Max Ernst; pela decisão de Casimir Malevich, ao pintar um quadrado branco em campo branco (…); pelo meu amor platônico às matemáticas; pelo dançado destino e as incríveis distrações de Saudade; pelo meu não vertical às propostas de determinados apoetas e impostas no sentido de liquidação da poesia; pelas minhas remotas e atuais viagens ao cinematógrafo, palavra do tempo da infância; porque temo o dilúvio de excrementos, a bomba atômica, a desagregação das galáxias, a explosão da vesícula divina, o julgamento universal; porque através do lirismo propendo à geometria.

(B)

Pertenço à categoria não muito numerosa dos que se interessam igualmente pelo finito e pelo infinito. Atraem-me a variedade das coisas, a migração das ideias, o giro das imagens, a pluralidade de sentido de qualquer fato (…) Sou contemporâneo e partícipe dos tempos rudimentares da matéria – 900 bilhões de anos? –, do dilúvio, do primeiro monólogo e do primeiro diálogo do homem, do meu nascimento, das minhas sucessivas heresias (…), do último acontecimento mundial ou do acontecimento anônimo da minha rua. Na gruta de Altamira disse: eu estava aqui na época em que gravaram estes bichos.

(D)

(…) atiço o conflito entre inspiração e estrutura (…), hóspede dos enigmas; protegido pelo sense of humour, meu anjo da guarda…

[Murilo Mendes, Roma, 14/02/1970]

(Trecho roubado do Facebook do Marcelo Montenegro)

no catharsis

“There are no more barriers to cross. All I have in common with the uncontrollable and the insane, the vicious and the evil, all the mayhem I have caused and my utter indifference toward it I have now surpassed. My pain is constant and sharp, and I do not hope for a better world for anyone. In fact, I want my pain to be inflicted on others. I want no one to escape. But even after admitting this, there is no catharsis; my punishment continues to elude me, and I gain no deeper knowledge of myself. No new knowledge can be extracted from my telling. This confession has meant nothing.”

Patrick Bateman, no filme American Psycho.

bateman

uma ilusão

“Live all you can; it’s a mistake not to. It doesn’t so much matter what you do in particular so long as you have your life. If you haven’t had that what have you had? … I haven’t done so enough before—and now I’m too old; too old at any rate for what I see. … What one loses one loses; make no mistake about that. … Still, we have the illusion of freedom; therefore don’t be, like me, without the memory of that illusion. I was either, at the right time, too stupid or too intelligent to have it; I don’t quite know which. Of course at present I’m a case of reaction against the mistake. … Do what you like so long as you don’t make my mistake. For it was a mistake. Live!”

Henry James, The Ambassadors

dois convites: caio f. e pesquisa daora

Esse post é pra convidar vocês para duas coisas. A primeira é que hoje à noite, às 20h, horário de São Paulo, vai rolar um chat comigo sobre como foi escrever a biografia do Caio F. Tudo que você sempre quis saber sobre o processo, se dá trabalho (teaser: sim, muito!), se ganhei “fortunas”, enfim. O chat vai rolar no ambiente virtual da Dinossauros & Anfíbios, uma comunidade online voltada para literatura. É só entrar em literatura.ning.com e participar. Ah, aproveita e se inscreve no site, vai rolar muita coisa bacana lá a partir de novembro (ou seja, agora). 😉

caioinvite

O outro convite que eu quero fazer é, na verdade, um pedido: eu, a Marília Moschkovich e a Nessa Guedes estamos coordenando uma pesquisa sobre hábitos na internet. É para um projeto muito especial que estamos preparando. Gasta apenas 10 minutos para responder o questionário (que tá super legal, gente, prometo) e você ainda concorre a R$ 100 para gastar como quiser. E, claro, ainda ajuda a gente a fazer o projeto caminhar no rumo certo. Para responder, é só clicar aqui. Bora lá?

pesquisabold

FLAP! + grupo de criação literária

Oi, tudo bem? Como anda a vida?

Por aqui, coisas legais acontecendo. Na área de literatura, dois lances que eu queria dividir com vocês (com algum atraso, que é o meu jeitinho…). E fazer o convite, claro.

1) A primeira coisa é a FLAP! 2013, um festival independente de literatura e poesia, organizado há vários anos por uma turma animada aqui de São Paulo, e que vai rolar essa semana, de sexta (20/set) a domingo (22/set). Colaborativo e gratuito, o festival é a mostra de que a literatura independente tem força e poder e está muy viva nessa cidade cinza. Estou na curadoria e mediação da mesa “O corpo e as margens”, que vai trazer quatro debatedores incríveis: Elizandra Souza, Alfredo Fressia, Juliano Garcia Pessanha e Nuno Ramos (mais sobre a mesa aqui). Essa mesa vai rolar às 10h da manhã de sábado, dia 21 de setembro, na Biblioteca Mário de Andrade, em São Paulo.

A programação completa, com debatedores, horários e locais de cada debate, está no site da FLAP. Boralá?
flaplogo

2) A segunda coisa é o grupo de criação literária que tá rolando n’oGangorra, em São Paulo. O primeiro encontro foi esse sábado e foi incrível – turma animada e empolgada em escrever e trocar. Até o próximo encontro (em 28/09), ainda dá pra entrar gente nova pra conversar e debater sobre a produção de cada um. Abaixo o flyer – e não se preocupe com a doação de livros; ela não é obrigatória nesse semestre.

gangorra

 

Era isso, pessoal. A gente se vê, na FLAP ou n’oGangorra…

Vinagre, a antologia neobarraca

E no calor dos acontecimentos da jornada de junho no Brasil, muitos poetas sentiram que deveriam dizer alguma coisa. Posicionar-se. Assim surgiu a Vinagre – Uma Antologia de Poetas Neobarracos, organizada por Fabiano Calixto. A coisa toda foi muito rápida: na sexta a convocação, na segunda já saía a antologia diagramada para download. Participei com um poemeto, que transcrevo abaixo. Logo tivemos o primeiro comentário crítico, publicado por Ricardo Pedrosa Alves em seu blog. Abaixo, o material para ler, folhear, ajudar a pensar sobre esses dias incendiários.

vinagre

Vinagre, uma antologia de poetas neobarracos: http://pt.calameo.com/read/0025156248952e78c09f4

Vinagre, uma antologia de poetas neobarracos (2ª edição ampliada) http://pt.calameo.com/read/0025156248952e78c09f4

Entrevista com Os Vândalos na revista Cult: http://revistacult.uol.com.br/home/2013/06/vinagre-e-poesia/

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receita de bomba pra detonar revoluções

explosivas são as flores
portanto, o principal
tambores e dançar
stayin’ alive
dar cambalhota lançar tapiocas
não esquecer o vinagre
o vinagre é muito, muito importante

pichar facista sem S, que o S
é coisa da polícia
da gramática
vamos explodir a norma culta
que a língua a rua a flor do lácio é nossa
a cidade a língua é nossa casa é nossa
é nossa

j.c.

Acredite: é subversivo

E em dias de primavera paulistana, com tanta coisa bonita chegando na timeline, uma das mais belas é o discurso do filósofo Slavoj Zizek no Occupy Wall Street, em 2011. Está abaixo, pra quem quiser ver (transcrição em português aqui). O momento é intenso e suas palavras, sábias: “não se apaixonem por si mesmos”; o que importa é o que ficará depois que as coisas voltarem à normalidade. É bonito e verdadeiro. Mas permitam-me discordar por um momento.

Apaixonem-se por si mesmos – por cinco minutos. Por cinco minutos, permitam-se ter orgulho de si e dos colegas que estão fazendo dessas manifestações algo memorável, ao mesmo tempo único e conectado a tantos outros movimentos do mundo. Percebam como é trabalhar em grupo, e como é muito mais fácil do que a gente pensava. Percebam como é bacana entender, de forma tão pessoal, o que motivou as pessoas em outras épocas e revoluções. A força nascendo do medo, a união nascendo das diferenças. As pessoas têm diferentes motivações para estar na rua, e isso não é ruim. Insatisfação geral com tudo que está aí não é ruim. Não ter respostas prontas e fechadas não é ruim.

Porque, se pensarmos bem, até que temos algumas respostas – ou propostas. Temos discutido isso, de diferentes maneiras, há alguns anos – em alguns casos, décadas. Se pensarmos com cuidado, temos sim questões concretas por que lutar. Queremos: um Estado que não se esqueça das pessoas. Cidades vivíveis, que sejam mais que lugares de passagem. Sabemos que isso passa pela mobilidade, pelo direito de se locomover na cidade com dignidade. Passa por bicicletas, por transporte público decente. Novamente: foco no ser humano. Não nos carros. Nas pessoas. Sabemos que tem a ver com o verde. Com parques, locais de convivência, com lazer público. Com uma cidade mais humana, em que a especulação imobiliária não é mais forte que os direitos do ser humano. Passa pela poesia, pela arte.

Passa pelo direito a uma infância mais ativa, por crianças que podem viver a rua, e não apenas passar do aquário-do-carro para o aquário-do-apartamento. Passa pelo direito de comer alimentos que não sejam entupidos de veneno, produzidos de forma ética e digna. Passa pelo direito à informação, sem que precisemos duvidar de tudo que vemos na TV. Pelo direito a andar na rua de mãos dadas para todos os casais, hétero ou gays. Pelo direito a ter sua identidade de gênero respeitada, independente do tipo de genital no meio das pernas. Passa pela desmilitarização da polícia e pelo direito de protestar.

vdevinagre

E talvez, acima de tudo, passe pelo fim da desigualdade. Para que o abismo entre quem tem muito e entre quem tem pouco não seja tão imenso. Sabemos que avanços têm ocorrido nesse sentido, e isso é lindo. Mas não é suficiente. Jovens negros continuam sendo mortos por uma polícia que a gente, aqui na ZO, só tá aprendendo a conhecer agora. Gente demais continua na cadeia por roubar um pedaço de pão. Mulheres demais morrem por causa de abortos precários. Crianças demais enveredam por paradas erradas por não verem outra opção. A miséria não é aceitável, e segregar pessoas num modelo de cidade excludente e violenta não é aceitável. A gente sabe por onde as soluções passam, mesmo que discordemos dos detalhes (e discordar é bom, dissenso é bom; nunca duvidem do poder do embate saudável, porque é assim que a gente cresce). A gente sabe por onde passa: pelo foco nas pessoas. Nos seres humanos. TODOS os seres humanos. Não só os brancos, de classe média, do sexo masculino, heterossexuais, cisgêneros, motoristas de grandes automóveis e respeitadores da ordem. Não. É dignidade pra todo mundo. Pra quem sempre ficou de fora. Principalmente pra quem sempre ficou de fora. Eu preciso de um Estado decente e de uma cidade que me respeite como ser humano, mas ainda é verdade que fiquei com a melhor fatia do bolo; tem gente que precisa ainda mais do que eu de um Estado e de uma cidade que os respeite.

A gente sabe, no fim, o rumo a tomar, as propostas concretas que queremos. É por um Estado que não se esqueça das pessoas, por uma cidade cujo foco principal sejam as pessoas. Pelo direito de ser gente. Com dignidade. Não é tão difícil.

Por isso, permita-se apaixonar por esse momento. Nem que seja por alguns instantes. Porque ele não é só um surto de rebeldia instantânea; esses debates têm sido construídos há muito tempo. Permita-se curtir esse momento mesmo sem existir uma única demanda concreta que una todas as pessoas nesse instante, porque a principal revolução é no imaginário. Mais que qualquer ganho real e imediato, o movimento em si já é a mudança. Apaixone-se pelo processo de mudança, que é incessante. Pela luta. Apaixonar-se por colaborar, estar inquieto, ajudar, dar força, se inspirar, pensar que é possível. Acima de tudo, apaixone-se por pensar que é possível. Isso nunca será inofensivo.

Como diz a Lu, acreditar é subversivo. Estar com outras pessoas é transformador. Enquanto a gente acreditar, o amanhã não será o mesmo.

quixote

– Por falar nisso, Sancho, quero que a aprecies [a comédia], tendo-a em alto conceito, como também aqueles que as representam e que as escrevem, pois todos são instrumentos de um grande bem para a república: a cada passo nos põem um espelho pela frente, onde se veem vividamente as ações humanas. Nada nem ninguém representa de modo mais eficaz o que somos e o que haveremos de ser do que a comédia e os comediantes, ou então me diz: não viste representar alguma comédia em que se introduzem reis, imperadores e pontífices, cavaleiros, damas e vários outros personagens? Um faz o rufião, outro o embusteiro, este o mercador, aquele o soldado, outro o bobo sábio, outro o simplório apaixonado, mas, acabada a comédia, despindo os trajes dela, todos os atores ficam iguais.
– Já vi, sim – respondeu Sancho.
– O mesmo que acontece na comédia – disse dom Quixote – acontece no mundo, onde uns representam os imperadores, outros os pontífices, enfim, todas as figuras que se podem introduzir numa peça. Mas, chegando ao fim, que é quando acaba a vida, a todos a morte tira os trajes que os diferenciavam, e ficam iguais na sepultura.

 

Trecho de Dom Quixote, na tradução do Ernani Ssó, que saiu há pouco pela Penguin Companhia. Escrevi uma mini-resenha do livro para a Vida Simples de fevereiro de 2013.

agora que você já conhece as frases…

…leia a biografia! =P

Boa notícia para as pessoas que me perguntaram do meu livro Caio Fernando Abreu – Inventário de um Escritor Irremediável: consegui mais alguns exemplares! Estão à venda por R$ 20 + frete (dependendo do caso, o frete não tem custo; posso até te entregar pessoalmente se for em SP, por exemplo). É um pouco mais barato que na livraria e você ainda ajuda essa autora aqui a juntar uns mangos extras. E olha, eu tou precisando de uns mangos extras. É aquela coisa: não tá nem fácil nem para o papa, que dirá pra escritores, jornalistas, poetas…

Aqui um texto simpático da Ana Rüsche em que ela fala sobre o livro.

E é isso, povos e povas. Para pedir o livro, é só escrever para jeanne callegari arroba gmail ponto com. =)

caiof